terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Os Pilares da Terra, de Ken Follett

 

“O semblante do arcediago Peter parecia de pedra. Ele era o pior tipo de cristão, entendeu Philip: abraçava todos os aspectos negativos, aplicava todas as proibições, insistia em todas as formas de negação e exigia punições severas para qualquer ofensa. No entanto, ignorava a compaixão da cristandade, negava sua clemência, desobedecia de maneira flagrante à sua ética de amor e desconsiderava abertamente as leis bondosas de Jesus. Assim eram os fariseus, pensou Philip. Não era de espantar que o Senhor preferisse comer na companhia de taberneiros e pecadores.”



Embarcar na leitura de um livro é uma experiência similar a se lançar em qualquer outro aspecto da vida: a gente nunca sabe aonde aquilo nos levará. Quando eu, aficionado pelo objeto livro, adquiri o meu exemplar de “Os Pilares da Terra” em uma livraria sebo lá na Galeria do Ouvidor no finalzinho de julho, não passava pela minha cabeça que, em poucos dias, estaria imerso na desafiadora construção de uma catedral.

O Buddy Reader – expressão charmosa que recém aprendi – foi a modalidade de leitura adotada, e nada mais é do que ler com outra pessoa, discutindo capítulo a capítulo. E isso só foi possível porque o Ismael, meu amigo para todas as horas aceitou a proposta e – já estabelecida a nossa parceria nessa jornada de vida – embarcou comigo também nessa jornada literária.

Portanto, tenho duas tarefas aqui: primeiro, recomendar fortemente a leitura (então, leia “Os Pilares da Terra”, sério!); segundo, sugerir que você se porte diante dessa obra não apenas como alguém que lê uma história épica, mas como alguém que sabe que os reveses dessa trama de época dialogam diretamente com pautas muito contemporâneas nossas... A polarização política, a divisão no âmbito da Igreja, a disputa pelo poder e as suas consequências para os cidadãos etc. E devo dizer que, diante dessa miríade de pautas, o Buddy Reader pode ser uma excelente ideia, pois as discussões levantadas provocarão, por sua turno, a diversidade de ideias, e é justamente isso que tornará essa leitura ainda mais inesquecível.

Por oferecer ação, romance, aventura, mistério etc., a obra de Ken Follett há de agradar muitos tipos de leitores. Todavia, é bom que se saiba: trata-se de uma obra que, por vezes, pode ser deveras impiedosa com o leitor. Afinal, estamos falando de um romance medieval, contexto de Guerra Civil etc. A violência era como que uma palavra de ordem em um contexto de instabilidade política e na ausência de um rei forte que definisse regras claras, o que deixava um campo aberto para o abuso de poder por figuras importantes do clero e da nobreza.

Ah! Vale acrescentar que, ao longo da minha leitura, fui me alternando entre a edição impressa da Rocco (2012) e a versão Kindle da Arqueiro (2016), o que foi muito bom, pois, na impossibilidade de levar aquele calhamaço da Rocco na mochila, eu pude seguir com a leitura nos meus longos trajetos de ônibus com o Kindle. Ambas as edições/traduções são excelentes. O livro impresso é lindo!, ao passo que a versão Kindle da Arqueiro – apesar de um e outro problema de tradução – me ofereceu maior conforto... Enfim, escolha conforme as suas preferências e não haverá erro!

O mais importante, porém, é que você escolha se enveredar por essa leitura fascinante e repleta de emoções que é “Os Pilares da Terra”. Boa leitura!

 

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