Hoje, depois de um dia difícil lidando com uma mente indócil; depois de horas arrastadas me lamentando por erros cometidos e oportunidades perdidas; hoje, depois de me debater com o desejo de permanecer na cama e o medo de sair e encarar a vida; depois de chorar sozinho desejoso de me aninhar nos braços que se mantêm cruzados para mim; hoje, depois de desejar fugir e vagar sem rumo; depois de meditar, orar, pedir a Deus pelo meu futuro; hoje, depois de ter o peito atravessado pela dor, testemunhei o pôr-do-sol pela minha janela, e, diante dele, fiz um compromisso com o Criador. A partir de hoje, sempre que me sentir cansado, sempre que a existência me pesar nos ombros, virei à janela do meu quarto e observarei o pôr-do-sol, grato ao Universo pela dádiva de presenciar, diariamente, tamanha beleza. Hoje, depois de me revoltar contra mim e o mundo, assumi diante da vida o compromisso de me fazer absurdamente feliz.
Crônica, poesia, crítica literária, cinema e um monte de coisas que passam pela minha cabeça.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Obrigado aos que se importam
Obrigado aos que se importam.
Vi esta imagem na manhã de ontem, no status de um amigo bastante querido no WhatsApp, havendo ela me levado a refletir sobre as tantas situações – dentre as quais ressalto a depressão que enfrento há alguns anos (décadas?) – nas quais demandei a gentileza dos que estavam ao meu redor, bem como aquelas nas quais careceram de que eu fosse gentil e acolhedor. Não raro falharam comigo. Não raro falhei com quem precisava de mim.
Fique claro que, quando me refiro a essa desejada e necessária gentileza, não estou a dizer de “passar a mão na cabeça” ou tratar o outro como porcelana, mas, sobretudo, de não diminuir ou mesmo ignorar a dor alheia, concebendo-a como o velho “fogo de palha”, expressão comumente utilizada para ridicularizar a dor do outro ou mesmo as suas tentativas de escapar dela.
Parece-me válido dizê-lo ainda dentro deste Setembro Amarelo: gentileza não necessariamente envolve grandes ações. As grandes ações, claro, são bem vindas quando possíveis. Não obstante, não são raras as minhas lembranças de grandes confortos vindos por meio de uma mensagem, de uma ligação, de uma mensagem, de uma conversa...
Posso estar equivocado, mas creio que isso seja universal: é sempre bom saber que alguém se importa.
Eu sou grato aos familiares, amigos e colegas que, ao longo desta árdua jornada, me têm ajudado dentro de suas possibilidades. É fato que o meu constante progresso e permanência neste mundo repleto de sobressaltos se deve, em parte, à força e persistência que encontrei em cada mergulho que dei dentro de mim mesmo. Eu não poderia, porém, negar a essencial e indispensável contribuição de muitos que passaram e permanecem em minha vida.
Nós somos verdadeiros felizardos, pois temos um Deus que é por nós, e que age através de nós, do outro e das circunstâncias como forma de nos indicar as estradas que melhor conduzem à nossa libertação. Eu sou um felizardo e profundamente grato aos que se importam.
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
Filho da Luz
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Ninguém vai aparecer para te salvar
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Luxo
domingo, 16 de junho de 2019
Douglas
Um nome e um rosto. Era tudo o que eu tinha. Um nome e um rosto. Tomei-os como um mapa que me conduziria até Douglas. Douglas era meu destino. A fim de encontrar mais uma pista, qualquer sinal que fosse, recapitulei os eventos ocorridos ao longo das poucas horas em que o tive ao meu lado. Quem sabe um toque casual e involuntário, um gesto, um comentário que me revelasse o segundo nome, o endereço, a universidade em que estuda? “Obrigado”, foi a primeira palavra que dele escutei, ao me transferir para o assento ao lado, permitindo-lhe, assim, sentar em trio com os amigos. Gostei de haver-lhe feito algo dentro dos limites comuns ao encontro de desconhecidos. Douglas ia em grupos de amigos a eventos literários! Deve ser por isso que me apaixonei. E ele também se apaixonou. Não por mim. “Conheci ela há pouco tempo, mas já estou apaixonado”, disse ele sobre a poetisa esperada, razão da nossa presença ali. Douglas comprou livro da poeta para ser autografado. Douglas saiu e retornou em instantes com garrafas d’água para os amigos. Douglas aplaudia entusiasmado à apresentação, enquanto eu, tomado da mais perversa quirofilia, observava-lhe as mãos, em visão periférica, secretamente desejando-lhe o toque, do suave ao intenso, do delicado ao bruto, do convencional ao pecaminosamente íntimo... Douglas me roubava a atenção e me induzia a pecar. Douglas fotografava a apresentação com o celular. Douglas... Vi bem quando ele saiu, enquanto eu aguardava ainda o meu autógrafo. A nossa estrela brilhava, mas, naqueles instantes, fora Douglas o meu ídolo. Quero fazer de Douglas meu homem nas noites de tempestade. Quero ser de Douglas um súdito e ele minha majestade. Quero passear de mãos dadas na Paulista até tarde. Quero Douglas e eu dançando, sambando na cara da sociedade. Quero Douglas pra viver um amor... de verdade.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
Da coragem de assumir o leme
A verdadeira coragem do ser humano se revela na sua disposição para procurar em si mesmo as causas de sua atual experiência de vida. Trata-se de uma empreitada tanto heroica quanto arriscada, dadas as verdades dolorosas que podem vir à tona quando se propõe tal autoinvestigação. Mas o que seria mais cruel? Acomodarmo-nos eternamente à posição de pobres vítimas, maltratando-nos diariamente, afastando os que ora nos rodeiam e matando-nos aos poucos ou assumirmos a responsabilidade por nós mesmos?
Não que esta segunda alternativa nos torne imunes à dor, claro. Autorresponsabilidade dói e isso é fato. Trata-se, porém, da dor típica da experiência humana. A dor de quem sabe que algo maior está à sua espera e anseia por alcança-la. A dor de quem tem consciência de que a plenitude é impossível neste mundo de provas, onde nada faz real sentido... Quando nos negamos à experiência da viagem ao nosso interior, porém, ao entregar o nosso poder a outrem, delegando-lhe a tarefa de nos trazer felicidade, experimentamos a terrível dor da vulnerabilidade, sujeitamo-nos ao abuso e ficamos à mercê das circunstâncias.
Quem se recusa a chamar para si a responsabilidade pelo presente e pelo futuro se limita a apenas existir, privando-se da fantástica experiência de viver. São esses os que, vendo os destroços da própria existência, infernizam a vida alheia, culpabilizam os demais pela própria desgraça e, inevitavelmente, se tornam fadados a uma existência solitária.
Que o Grande Invisível nos inspire para que tenhamos o devido discernimento e, por conseguinte, façamos a melhor escolha para a nossa vida. A escolha pela vida...
terça-feira, 28 de maio de 2019
Paramahamsa Vishwananda
Oportunidades que perdemos em razão da timidez. Dada a minha imensa dificuldade em encarar (e ser encarado) nos olhos, mantive-me de olhos fechados durante a bênção, mentalizando um pedido que desejava com ardor ser escutado pelo Mestre. Nenhuma palavra. Nenhuma menção de encará-lo nos olhos como planejara já no fundo do auditório, quando somara à longa fila de devotos, curiosos e buscadores de modo geral. Gurují tem estampado no rosto um sorriso que, aparentemente, nunca desfaz, bem como um olhar penetrante que eu só encarei em fotografias. Quem sabe, se o tivesse encarado, ele houvesse percebido em mim uma maior abertura, oferecendo-me algumas palavras de consolo? Quem sabe, se houvesse eu aberto os olhos, ter-me-ia descortinado de tal forma que mereceria dele algum alento ante a dor de viver que não raro me consome, me paralisa e me retrai? Quem sabe...? Conjeturas à parte, resta-me a quase certeza – pois sou como Pedro saído do barco – de uma bênção certeira do Grande Artista do Universo por meio do divino instrumento que é o Mestre, bem como profunda gratidão pela poesia daquele momento...
quinta-feira, 23 de maio de 2019
O abraço dele
Idealista, expressa suas utopias nas rodas de amigos, prevalecendo sempre a calma e o jeito de menino que lhe é peculiar. Nunca o vi levantar a voz, a não ser em ocasião de uma pilhéria ou coisa que o valha.
Às vezes ele me cumprimenta, num aperto de mão firme que, com um pouco de sorte, traz de brinde um afago nas costas, o máximo a que dois homens têm direito de chegar. As mais próximas, vejo-o envolve-las em um abraço terno, daqueles demorados, durante os quais já se inicia uma conversa repleta de afetos. Nada há nele da masculinidade tóxica que ainda tanto nos vitima.
Apenas observo, imaginando-me dentro do seu abraço de vinte segundos.
Se me deixo levar pela distração, pego-me a imaginá-lo na intimidade, sobre a qual ele, discreto e avesso a vulgaridades, mantém o doce mistério. Imagino-o cuidadoso no toque. Não cheio dos melindres típicos daqueles que têm medo de amar. Refiro-me ao cuidado de quem caminha na ponta dos pés a fim de não despertar traumas adormecidos. Ele não é homem de remexer baús empoeirados ou de cutucar feridas. Portanto, há de explorar cuidadosa e minuciosamente o templo de sua peregrinação.
Sobressaltado, procuro desviar o pensamento, como que receoso de ser pego em meus devaneios. Não quero que ele me veja dessa forma, como alguém que tem sobre ele esse tipo de pensamento. Para ele, quero ser apenas o nerd esquisito com o qual o máximo a que se pode chegar em termos de relacionamento é o cumprimento amistoso. Ver-me como sou equivaleria a ter-me em baixa conta, e, diante de tal opção, eu prefiro continuar a ser ninguém.
Um dia eu o abraço no Natal, o presenteio com um livro e, quem sabe, se eu tiver coragem, teço uns versos falando de todo o meu amor...
terça-feira, 21 de maio de 2019
Bandeiras que desvirtuam
Quando vejo gente pedir tolerância e se tornar agressiva diante do contraditório, quando vejo estudantes e professores se valendo de expressões do tipo “vai tomar no **” durante uma manifestação pela Educação ou quando vejo o nosso país – e o mundo – seguirem sendo o que são a despeito das tantas experiências vividas e tantos modelos políticos experimentados, me pego refletindo sobre o quanto permitimos que ideologias prevaleçam em detrimento de reais valores e princípios.
Compreendo o quanto se tem mostrado arriscado falar de moral e valores atualmente, dada a conotação negativa que, com o recente avanço conservador, esse conceito pode ter para muitos. Aqui, no entanto, não falo de valores com a ideia de privação das liberdades individuais – das quais sou também fervoroso defensor –, mas, sim, dos valores que verdadeiramente exaltem o ser humano de modo incondicional, e não apenas enquanto ele pensa como nós ou enquanto vota em X ou Y.
Quando a empatia, em lugar de uma realidade interior, restringe-se a nada mais que a reprodução de um discurso ideológico, é comum que se saiam pelas ruas empunhando-se bandeiras e bradando-se expressões como “mais amor por favor” e afins, mas tocando o terror na vida dos outros na realidade do dia a dia. Quando temos um senso ético profundamente arraigado, não somos seletivos em nossa indignação, apontando a corrupção de uns e fazendo vista grossa para a de outros. Quando temos a verdadeira liberdade como ideal, não nos enveredamos pelo debate acerca da ditadura mais camarada.
E neste ponto me parece válido exaltar a importância da Educação enquanto um direito fundamental, desde que bem aplicado. Sujeitos expostos a uma Educação embasada na autorresponsabilidade, no autoconhecimento e no real compromisso com toda e qualquer criatura humana – independentemente de raça, gênero, classe social, inclinações ideológicas e afins – alcançam a vida adulta sem enaltecer mitos e sem se prender a homens que se fizeram grandes com o bem realizado no passado, mas desvirtuados com o curso do tempo.
E por falar em virtude, é inevitável que me venha à lembrança as palavras da saudosa Elke Maravilha (1945 – 2016), que – apesar da natureza profundamente humanitária que a fez madrinha dos gays, dos presidiários, dos portadores de hanseníase e das prostitutas – criticava firmemente as bandeiras. Não por intencionar oprimir, mas por julgar que quaisquer valores, quando saídos do coração, subidos à cabeça e convertidos em bandeiras, se desvirtuavam.
Essa pode parecer uma opinião simplista para muitos, mas facilmente verificada na triste realidade da hipocrisia nossa de cada dia... Realidade essa na qual se fala de tolerância para em seguida excluir pessoas queridas das redes sociais em razão de escolhas políticas. Realidade essa na qual “homens de bem” defendem o partido Brasil, mas desde que alguns, com peculiaridades indesejáveis, não estejam sob os holofotes desse Brasil.
E, assim, resistindo à necessária e urgente viagem ao nosso interior, seguimos à direita, à esquerda, mas todos, sem exceção, em marcha vertiginosa para a beira do abismo, que é onde, finalmente, gozaremos da tão aclamada igualdade. Só que negativamente orientada...









