sábado, 16 de novembro de 2019

A vilania da depressão

Contar os dias para o feriado e, quando esse finalmente chega, não conseguir ficar em paz devido a renitente voz na sua mente.

Planejar todo um fim de semana e não conseguir cumprir nem mesmo 10% do planejado.

Ver imensa complexidade em tarefas simples, como abrir a correspondência, tomar banho ou lavar um copo.

Dormir em excesso como forma de fugir da realidade e do burburinho dentro da própria cabeça.

Julgar-se indigno.

Ver a casa imunda e as roupas pra passar e sentir que não dispõe das forças necessárias para fazer algo a respeito.

Ter um humor que oscila em questão de horas, por várias vezes ao dia.

Sentir-se forte e entusiasmado, mas com a certeza (ou medo) de que todo esse vigor se esvaia em pouco tempo.

Não ter perspectivas para o futuro.

Fazer bobagens na tentativa de se sentir melhor e conseguir apenas agravar ainda mais o próprio estado com a bobagem feita.

Tudo isso é a depressão.

Ou ao menos como ela se manifesta na minha experiência.

Diante dessas palavras, alguém poderia se perguntar: “Já há tantos anos passando por esses altos e baixos, o que mais esse estúpido acha que pode dizer sobre depressão que nos traga algum tipo de contribuição?” E eu responderia que a minha maior contribuição está não no que eu possa dizer, mas, sim, no fato de – apesar de uma depressão que já data de anos e parece me consumir a cada dia – eu permanecer vivo.

Sim. É difícil, doloroso, desafiador... Mas, a despeito da dor de agora, eu ainda tenho fé e esperança de que chegará o dia em que terei conseguido atravessar isso.

E você também vai.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Sombras


Você não sabe,
mas às vezes a minha casa assume uma atmosfera soturna
e eu sou assombrado por fantasmas que me perseguem
e me ameaçam com o fim que levaram outros como eu.
Os mais sádicos, porém,
apenas me mostram o espelho
no qual eu vejo refletido o menino da minha infância
a encolher-se diante dos risos da classe.
Você não sabe,
mas me firo diariamente com os espinhos
das rosas das quais ousei desejar a fragrância..
Apenas pare
e ouça os gritos abafados de quem não tem como fugir.
Tomado pelo medo,
corro desesperado pelas ruas,
bebo veneno,
desmaio na sarjeta e me embebedo
de prazeres marginais.
E se às vezes lhe destino palavras confusas
é porque, querendo morrer,
eu preciso sobreviver a mais uma noite.
Quem sou eu em plena madrugada?
Quem é você que já não sei se existe?
É possível que haja se apercebido do desvalor
da vida que eu lhe quis oferecer.
Era pouco,
mas era tudo o que eu tinha.
Será que não entende que eu temo
que o vento espatife as vidraças?
Será que não sabe que eu passo noites em vigília
de modo a impedir que eles entrem aqui.
Não...
Você não sabe
porque se negou a reconhecer o humano em mim.

domingo, 10 de novembro de 2019

O florescer masculino

“É pra hoje, Alex!” Ele vociferava, enquanto eu esperava me sentir realmente preparado para o próximo mergulho. “Errou, tenta de novo uai”. Disse ele quando eu reclamei ser muito difícil me colocar de pé sem me apoiar na raia. “Engoliu, só reza e continua.” Foi ele quando eu, dramático, engoli um pouco d’água.

Percebendo as consequências do sedentarismo a cinco primaveras para os quarenta, vi na natação uma boa alternativa, e lá fui eu, sendo conduzido por um instrutor para o qual, aparentemente, eu perdi o caráter de “iniciante” já na terceira aula.

O curioso, porém, é que são as atitudes dele e de caras como ele que me têm ensinado a gostar de homem. Mas não me refiro ao gostar no sentido afetivo ou sexual da coisa, até porque, convenhamos, essa tendência já faz parte de mim desde moleque, e não é lá uma grande novidade pra ninguém. O gostar ao qual me refiro aqui tem outras nuances, significados mais profundos que eu venho aprendendo após muito resistir ao masculino em mim e no outro.

Na minha experiência pessoal, são os homens os que mais me desafiam, exigindo de mim firmeza, objetividade e me fazendo tomar novo fôlego – literalmente, no caso da natação – quando me parece não ser mais possível.

Desde a mais tenra idade, sempre me cerquei de mulheres, todas elas se havendo dedicado magistralmente a me instruir na arte da sensibilidade, do altruísmo, da humanidade, da leveza, da consciência do próximo. Sim, tudo isso eu aprendi, sobretudo, com mulheres. O problema é que, excelentes professoras que elas são, me acomodei em seu amparo, refugiando-me em sua generosidade e acolhimento sempre infalíveis, sem necessariamente me dar conta disso.

É fato, no entanto, que determinados desafios com os quais a vida costuma nos surpreender me foram/vêm mostrando a necessidade de ancorar o masculino e o feminino em mim. O Yin e Yang. As duas facetas de um Deus que, na condição de mãe e de pai, ora é amparo e misericórdia, ora é Aquele que nos lança os duros desafios que nos colocam em movimento.

Esse processo contra as resistências, no entanto, é lento e gradual. Começou timidamente, com a coragem de encarar um psicólogo do sexo masculino, por exemplo. Avançou para o estreitamento de laços com amigos que, seguros de si, não veem em mim uma ameaça à própria sexualidade. Em seguida, maior aproximação com o meu pai, ainda longe do ideal – se é que existe um –, mas significativa se comparada a tempos de outrora.

Se das mulheres eu aprendi a sensibilidade, dos homens eu pretendo a objetividade e a firmeza. Mas não aquela firmeza característica de uma masculinidade tóxica que, felizmente, tem cada vez menos lugar no mundo. Refiro-me à firmeza que me permite aterrissar quando as asas da emoção me impulsionam a um voo interminável, livre e inconsequente.

Nos relacionamentos amorosos (ou tentativas de), eles têm se mostrado eficazes não na arte de me amar, mas na de me ensinarem a amar a mim mesmo antes de qualquer coisa, não raro me trazendo das nuvens para a terra firme, que é onde se  pode edificar algo de grandioso, duradouro e real.

Sim, eu gosto de homem. E continuo a gostar das mulheres. Agora, porém, sem negar nenhum dos dois. Vou oscilando entre esses dois polos, sendo extremamente organizado, mas desleixado com os serviços de casa; vestindo saia e mantendo a barba lenhador; não raro pensando com a cabeça de baixo, mas ainda escrevendo longas cartas de amor.

Este sou eu, aprendendo a ser livre, aprendendo a ser gay, aprendendo a ser homem. Aprendendo, a cada dia, a me descobrir e a expressar no mundo aquele que eu sou.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A oportunidade na adversidade


Que bênção é a dor,
Que nos dá a coragem para atravessá-la.
Que bênção é a ausência de amor-próprio,
Que nos revela a urgência de adquiri-lo.
Que bênção é a depressão,
Que nos pode servir de impulso em direção à luz.
Que bênção é a indiferença alheia,
Que nos ensina, dia após dia, a criarmos raízes profundas em nós mesmos.
Que bênção é a vida,
A despeito de todos os sobressaltos.
Que oportunidade é viver!

domingo, 20 de outubro de 2019

Uma luta diária

Naquele dia, despertou às dez, como lhe era de costume. Sentou-se na cama e dedicou-se a uma oração sincera e em voz alta, acreditando que, assim, viria mais rápido o socorro. O silêncio, porém, continuava a reinar entre as paredes, ao passo que o vazio ecoava dentro da casa e de si. Nada de paramédicos espirituais ou som de ambulâncias celestes, conduzindo-o a mais essa dolorosa conclusão de que, talvez, não houvesse mesmo um Deus que lhe pudesse escutar.

Necessidades fisiológicas o impeliram a se levantar. Saiu do quarto, foi ao banheiro e, na saída, mirou-se no espelho como quem se deparasse com uma figura lamentável. Retornou para a cama. Desejava dormir para não ver, experimentar mais do sono que era a inconsciência da dor. Nada. Revirava-se na cama como que buscando posição confortável, mas o organismo já se satisfizera de repouso. Não dormiria por ora.

Forçou-se a se levantar, procurando organizar as ideias na mente. Tarefas simples lhe pareciam extremamente complexas, tais como arrumar a cama, lavar a louça, escovar os dentes. Das janelas, abriu apenas uma. Precisava de ar, mas não se julgava digno da luz que lhe invadia a casa quando abria todas as janelas. Precisava e, de alguma forma, regozijava-se com a penumbra que tão bem lhe refletia a alma. Questão de afinidade.

Pôs no micro-ondas uma comida tão artificial quanto ã própria existência, e, enquanto o irritante apito não lhe despertava do transe, rolava o feed das redes sociais, encolhendo-se no sofá a cada post de vida perfeita que ali se apresentava. Em seu íntimo, desejava também escutar o barulho do mar ou sentir no rosto a brisa das montanhas. As providências, porém, lhe pareciam extremamente complexas: ir ã rodoviária, comprar passagens, acessar as páginas de hotéis... Faltava-lhe energia para tanto. Ademais, não havia lugar que lhe desobrigasse da própria companhia.

O apito. O irritante apito. O cheiro de comida processada. A dor... E, naquele momento, soube: abreviaria a própria vida. Talvez não hoje. Possivelmente não amanhã. Mas o faria. De certa forma, já o estava fazendo, em doses homeopáticas, mas fatais, todos os dias. Faria, e doía saber, mas, como agravante da dor, ele sabia.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Vigília


Lustrei os móveis,
limpei a poeira das grades,
pus tapete com dizeres frente à porta.
Eu sei que um dia ele vem...
O café ainda esfria sobre a mesa
servido na porcelana que herdei da minha avó.
Fiz bolo de cenoura
e queimei um palo santo
para neutralizar as energias,
só pra que se sinta em paz.
O forro de mesa barato,
eu comprei numa liquidação,
junto da capa do liquidificador.
Meu amor
é o mesmo, ontem, hoje,
triste,
desesperançado,
mas em vigília
e não se cansa de esperar.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Compromisso

Hoje, depois de um dia difícil lidando com uma mente indócil; depois de horas arrastadas me lamentando por erros cometidos e oportunidades perdidas; hoje, depois de me debater com o desejo de permanecer na cama e o medo de sair e encarar a vida; depois de chorar sozinho desejoso de me aninhar nos braços que se mantêm cruzados para mim; hoje, depois de desejar fugir e vagar sem rumo; depois de meditar, orar, pedir a Deus pelo meu futuro; hoje, depois de ter o peito atravessado pela dor, testemunhei o pôr-do-sol pela minha janela, e, diante dele, fiz um compromisso com o Criador. A partir de hoje, sempre que me sentir cansado, sempre que a existência me pesar nos ombros, virei à janela do meu quarto e observarei o pôr-do-sol, grato ao Universo pela dádiva de presenciar, diariamente, tamanha beleza. Hoje, depois de me revoltar contra mim e o mundo, assumi diante da vida o compromisso de me fazer absurdamente feliz.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Obrigado aos que se importam

Obrigado aos que se importam.

Vi esta imagem na manhã de ontem, no status de um amigo bastante querido no WhatsApp, havendo ela me levado a refletir sobre as tantas situações – dentre as quais ressalto a depressão que enfrento há alguns anos (décadas?) – nas quais demandei a gentileza dos que estavam ao meu redor, bem como aquelas nas quais careceram de que eu fosse gentil e acolhedor. Não raro falharam comigo. Não raro falhei com quem precisava de mim.

Fique claro que, quando me refiro a essa desejada e necessária gentileza, não estou a dizer de “passar a mão na cabeça” ou tratar o outro como porcelana, mas, sobretudo, de não diminuir ou mesmo ignorar a dor alheia, concebendo-a como o velho “fogo de palha”, expressão comumente utilizada para ridicularizar a dor do outro ou mesmo as suas tentativas de escapar dela.

Parece-me válido dizê-lo ainda dentro deste Setembro Amarelo: gentileza não necessariamente envolve grandes ações. As grandes ações, claro, são bem vindas quando possíveis. Não obstante, não são raras as minhas lembranças de grandes confortos vindos por meio de uma mensagem, de uma ligação, de uma mensagem, de uma conversa...

Posso estar equivocado, mas creio que isso seja universal: é sempre bom saber que alguém se importa.

Eu sou grato aos familiares, amigos e colegas que, ao longo desta árdua jornada, me têm ajudado dentro de suas possibilidades. É fato que o meu constante progresso e permanência neste mundo repleto de sobressaltos se deve, em parte, à força e persistência que encontrei em cada mergulho que dei dentro de mim mesmo. Eu não poderia, porém, negar a essencial e indispensável contribuição de muitos que passaram e permanecem em minha vida.

Nós somos verdadeiros felizardos, pois temos um Deus que é por nós, e que age através de nós, do outro e das circunstâncias como forma de nos indicar as estradas que melhor conduzem à nossa libertação. Eu sou um felizardo e profundamente grato aos que se importam.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Filho da Luz


Desperto cheio de gratidão à vida pela sublime dádiva de experienciá-la.
Viver é uma oportunidade!
Reconheço em cada alegria, uma bênção;
em cada sobressalto, uma lição.
Bênção inda maior travestida de fracasso.
Sigo a lançar mão do meu direito de escolha,
mas solto, confiante na Suprema Inteligência do Universo,
superior aos presunçosos saberes acumulados durante a caminhada.
Não mais me revolto contra o curso das coisas,
ciente de que a vida me ama e sabe o que é melhor para mim.
Não mais me rendo à ilusória necessidade de controle
e me permito fluir
tal como as folhas do outono ao sabor da brisa.
Filho da Luz que sou,
sou dotado do poder de iluminar a minha própria existência.
Imagem e semelhança do Criador.
Não mais espero de fora.
Não mais delego a supostos heróis
a tarefa de minha felicidade ou salvação.
Basto-me e, a um só tempo, necessito do outro para existir,
livre da arrogância dos que são cheios de si.
Amo sem projetar, sem exigir,
Mas amo primeiro a mim
e à inigualável beleza de existir.
Cada dia é recomeço.
Nada me para, me impede ou me limita,
e sigo confiante no Infinito Poder que me ampara.
Apenas escolho, confio e solto,
atento aos sinais,
pronto para viver os melhores dias da minha vida!
Apaixonado.
Cheio de amor por mim.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Ninguém vai aparecer para te salvar




Era, talvez, a décima segunda vez naquele dia que eu acessava o meu correio eletrônico a fim de conferir se havia resposta dele. Nada. Pensei também nos posts e stories do Insta e do Facebook. Era possível que a resposta viesse em forma de uma indireta postada ali. Nada também. As redes sociais e nossas muitas possibilidades de sofrer... Estou longe de ser o tipo conservador, mas não raro me percebo saudoso do tempo em que a gente só sofria pela ausência de uma carta ou telefonema.

E eis que a via-sacra virtual se repetiu ao longo dos dias seguintes, naturalmente acompanhada da angústia, do medo e da obsessão de quem busca em lugar incerto a salvação da própria vida.

Ora!, mas era improvável que ele não respondesse. Afinal, eu havia colocado em minha mensagem as minhas perturbações mais profundas. Aquelas que a gente não tem coragem de dizer em voz alta, sabe? Eu havia revelado ali os pensamentos suicidas que há muito rondavam a minha mente, sendo esse o tipo de coisa que qualquer pessoa com um mínimo senso de humanidade não ousaria deixar de responder, certo?

Errado! E parte do final dessa história eu já posso lhe adiantar: a tão desejada e aguardada resposta não veio. E à “aceitação” disso, como não podia deixar de ser, seguiu-se a raiva, a dor, a autopiedade e todos aqueles sentimentos que, se levados a um nível ainda mais destrutivo, nos convertem em um daqueles seres amargos que se arrastam pela vida tocando o terror na vida dos outros.

Eu sei que você, possivelmente, também já idealizou pessoas e, em momentos difíceis – como um episódio depressivo, que foi o meu caso – viu nelas a possibilidade de salvação, antecipando na imaginação as palavras dóceis e o afago tão desesperadamente desejado. Eu sei que, mamíferos que somos, temos demanda de afeto. Mas sei também o quão habituados estamos a, abrindo mão do nosso poder pessoal (herança divina!), delegarmos a outrem a tarefa de resolver os nossos conflitos e nos fazer felizes, o que talvez se deva ao fato de havermos crescido em uma cultura ocidental alicerçada em uma filosofia que exalta um salvador (e isso de maneira alguma deve ser entendido como crítica ao cristianismo e tampouco como negação de Jesus como Mestre e modelo).

Naturalmente, tomar a autorresponsabilidade como nossa palavra de ordem não dá a outrem salvo-conduto para ser cruel e indiferente à dor do próximo. Até porque a compreensão de que somos todos um é etapa fundamental no nosso processo de evolução. Isso sem falar que o exercício da cidadania envolve a dedicação de cada um à promoção da qualidade de vida do outro.

O conceito de autorresponsabilidade, no entanto, destrói a figura do herói e nos devolve a energia comumente investida em expectativas sem futuro. Quando temos a consciência (e optamos por viver de acordo com tal consciência) de que somos os únicos capazes de transformar a nossa própria existência e de que os outros já estão envolvidos com a própria, nos tornamos mais resistentes ao impacto de uma rejeição ou indiferença.

É aquela velha história... Quando não criamos expectativas, é indiferente para nós se o outro não nos faz algo bom; mas, se o outro nos presenteia com a gentileza de uma ajuda, uma palavra, um favor ou um abraço, nos sentimos no lucro, pois nada estávamos esperando.

Sim, eu sei que há pessoas más, mas eu sei também que há as nossas idealizações e expectativas que não raro vilanizam pessoas que nunca nos prometeram nada, que nunca assumiram a pesada e terrível responsabilidade pela nossa salvação.

Eu sei também que há a nossa incoerência ao, por tantas vezes, exigirmos que o outro desempenhe o papel de herói enquanto nós mesmos nos negamos terminantemente a assumir tal papel na vida de alguém, o que evidencia que, no fundo, sabemos o quão pesada é essa responsabilidade. Eu sei que há a nossa carência, o nosso egoísmo, o nosso medo, a nossa preguiça e a nossa depressão.

Contudo, a vida exige movimento – ou coragem, como diria Guimarães Rosa, grande nome da literatura brasileira –, e os outros já estão envolvidos demais com os próprios conflitos, pois não existe quem não os tenha, embora a grama do vizinho às vezes pareça mais verdinha... Pense nisso.

Se eu me matei de tristeza e sou agora um fantasma a redigir este texto? Não. Eu apenas chorei o que tinha pra chorar (o que faz um bem danado), me dediquei a atividades que geralmente ajudam a desanuviar a minha mente, fiz terapia, pedi orientação a Deus, fiquei atento aos sinais e segui vivendo. Recaídas? É claro que sim. Vale lembrar que sou humano, afinal.

Ninguém vai aparecer para te salvar. E está tudo bem...

Portanto, se aquela resposta não veio, se aquela consideração da qual você tanto precisava ficou só na fantasia, faz o seguinte: vá tomar um chocolate quente, bota pra tocar aquela música que te deixa pra cima, caminhe um pouco, sente-se numa praça arborizada e se dedique a uma boa leitura (quem sabe “O confessor”, de Taylor Caldwell?). E, quando se sentir preparada(o), joga uma água no rosto, respire fundo e – como numa canção do Roupa Nova – “se apronta pra recomeçar”. Há um navio aguardando que você assuma o leme.